Onde está aquele sorriso leve e
cheio de vitalidade do ex-futuro astronauta e primeiro homem a pisar em Marte? Em
qual caixa esquecida embaixo de entulhos em um porão sujo e não visitado foi parar
aquele livro que o inspirava a ser quem sempre quis se tornar?
Não
há saídas laterais no corredor da vida, você também sabe, não sabe? Você, ao
menos, também segue em frente. O amadurecimento (é assim mesmo que devemos chamar?)
transforma sonhos tolos em projetos concretos. Dilacera objetivos vãos para dar
espaço às conquistas profissionais. Para dar espaço ao sucesso. Sucesso? É isso
que perseguimos, então? É esse conceito vago e submetido às interpretações
convenientes de uma indústria cultural viciada que é responsável por guiar os
dias intermináveis de curtos anos? É lá aonde chegaremos e repousaremos sentados
no desafogado trono ao topo da montanha de engodos há muito alimentada?
Aquilo
que se persegue com tanta fibra e com a apaixonada ilusão de estar no controle
de algo, nem que seja das próprias escolhas, reflete a imagem cinza e turva da única
verdade acessível, pelo menos enquanto ainda se vestir com essas correntes: a
existência é a escravidão do que queremos ser.
Qual
é o rumo, então, da frágil brisa que sutilmente passa, dando rugas e fios brancos
que vem por descolorir as estruturas antes alimentadas por desejos simples e
sorrisos sinceros? Ao fim do caminho tortuoso e ímprobo, o que terá no baú é
realmente aquilo que se procurava? Terá, ao menos, o baú?
Não
faz diferença. Ninguém vai saber. Certo? Talvez, nem nós mesmos. Mais um motivo
para nutrir aquilo que, nessa altura, já se tornou a espinha dorsal da nova
realidade. Mais uma desculpa para abraçarmos aquilo que sucumbimos a nos
tornar. Talvez estejamos fadados a sermos, mesmo, aquele que gera sorrisos e admiração
a todos à nossa volta.. e só.

É meu velho, as vezes toda essa luta, nos leva para um mundo confuso de pensamentos que as vezes parecem não fazer o menor sentido.
ResponderExcluirGostei demais do texto.
É meu velho, as vezes toda essa luta, nos leva para um mundo confuso de pensamentos que as vezes parecem não fazer o menor sentido.
ResponderExcluirGostei demais do texto.