terça-feira, 31 de maio de 2016

As pessoas estão desesperadas para darem opinião. Para isso, falam sobre qualquer coisa, inclusive do que não sabem

          Atualmente, não é raro entrarmos nas nossas redes sociais, sobretudo o Facebook, e encontrarmos nossos contatos debatendo algum caso polêmico, seja ele qual for. Vemos uma enxurrada de pessoas se posicionando sobre os mais variados assuntos do cotidiano e adentrando em debates acerca de problemas sociais, políticos, econômicos, entre outros.

Até aí, tudo bem, certo?! O problema é que quase todos soam como especialistas em tudo aquilo que dissertam. Estamos presenciando uma onda de PhD’s em vomitar opiniões. De uma hora pra outra parece que todos os amigos se tornaram gênios da sociologia, doutores da política, fenômenos em economia, criminologia e todo o resto dos assuntos possíveis a serem pautados.

O enredo desse texto é bem sugestivo. Veja bem, eu mesmo estou me aproveitando da internet para dar opinião e talvez eu mesmo não saiba demasiadamente do que estou falando, o que não é nenhum problema, desde que eu não me sinta o dono da verdade.

Mas o que está em questão agora é que, de uma hora pra outra, não há nada que esses especialistas de Google não saibam sobre. São capazes de postar (ou quase copiar) textos descrevendo exatamente o que acontece na política, soando como uma pessoa que passa 15h por dia dedicado a estudar o tema, que por sinal é um dos mais complexos da história da humanidade.

Na manhã seguinte, já são especialistas sobre estupro, cultura do estupro e parecem já ter dissecado o assunto com uma facilidade ímpar e resolvido o problema secular, se não milenar, em apenas 3 minutos. Há aqueles que culpem a vítima por frequentar determinados ambientes, outros que desejam a pena de morte (com infinitos requintes de crueldade para os criminosos) e os que determinam que, na sociedade machista, todos os homens são sim estupradores, e ai de você homem tentar dizer que não estupraria ninguém.


Todos parecem ter certeza de tudo aquilo que defecam na internet postagem atrás de postagem. Não se vê resquícios de humildade em admitir que não se saiba muito sobre algum (qualquer um, pelo amor) tema ou alguém que assuma que talvez, só talvez, possa ter se enganado sobre algo em algum momento.

O pior disso tudo é que é justamente a geração mimada, que passou boa parte da vida ouvindo dos pais que são gênios acima da suprema maioria, é que está com as mãos no teclado. E essa geração não está parecendo ser capaz de ler nenhuma opinião contrária sem se estressar, agredir, xingar e, finalmente, excluir (esse, o mais grave) a amizade daqueles que pensam diferente.

Ou seja, cada vez mais essas pessoas se fecham em um mundinho onde lê somente a opinião de todos que pensam exatamente igual. Exterminando assim, suas chances de debater com quem pensa diferente e, quem sabe, perceber que existe vida e um pouco de razão além das suas próprias convicções.

Há quem assuma as mais diversas posições políticas, sociais e econômicas por mera necessidade de aceitação. Ou pior, para se sentir aquela pessoa “especial”, o gênio que sempre escutou ser, aguardando desesperadamente curtidas que possam corroborar com essa necessidade de ser “alguém”.

A verdade é que inteligente mesmo era Sócrates, quando cravou a melhor frase da história da filosofia “só sei que nada sei”. Hoje em dia, está fora de moda não ser especialista em tudo que acontece. Sócrates não tem a menor graça no séc XXI.

Fica aqui a minha opinião (de quem não sabe quase nada mesmo) sobre o atual grupo de doutores de Wikipédia. Geralmente no fim das minhas posições políticas, sou chamado de direitista pela esquerda e esquerdista pela direita. Isso se aplica também para outros assuntos. Ou seja, sinta-se a vontade para me chamar de conservador ou liberal. Eu mesmo não sei o que sou, a cada dia que passa descubro uma coisa nova.