segunda-feira, 19 de junho de 2017

Onde foi parar?

Onde está aquele sorriso leve e cheio de vitalidade do ex-futuro astronauta e primeiro homem a pisar em Marte? Em qual caixa esquecida embaixo de entulhos em um porão sujo e não visitado foi parar aquele livro que o inspirava a ser quem sempre quis se tornar?

Não há saídas laterais no corredor da vida, você também sabe, não sabe? Você, ao menos, também segue em frente. O amadurecimento (é assim mesmo que devemos chamar?) transforma sonhos tolos em projetos concretos. Dilacera objetivos vãos para dar espaço às conquistas profissionais. Para dar espaço ao sucesso. Sucesso? É isso que perseguimos, então? É esse conceito vago e submetido às interpretações convenientes de uma indústria cultural viciada que é responsável por guiar os dias intermináveis de curtos anos? É lá aonde chegaremos e repousaremos sentados no desafogado trono ao topo da montanha de engodos há muito alimentada?



Aquilo que se persegue com tanta fibra e com a apaixonada ilusão de estar no controle de algo, nem que seja das próprias escolhas, reflete a imagem cinza e turva da única verdade acessível, pelo menos enquanto ainda se vestir com essas correntes: a existência é a escravidão do que queremos ser.

Qual é o rumo, então, da frágil brisa que sutilmente passa, dando rugas e fios brancos que vem por descolorir as estruturas antes alimentadas por desejos simples e sorrisos sinceros? Ao fim do caminho tortuoso e ímprobo, o que terá no baú é realmente aquilo que se procurava? Terá, ao menos, o baú?

 Não faz diferença. Ninguém vai saber. Certo? Talvez, nem nós mesmos. Mais um motivo para nutrir aquilo que, nessa altura, já se tornou a espinha dorsal da nova realidade. Mais uma desculpa para abraçarmos aquilo que sucumbimos a nos tornar. Talvez estejamos fadados a sermos, mesmo, aquele que gera sorrisos e admiração a todos à nossa volta.. e só.