terça-feira, 29 de outubro de 2019

Elegemos um idiota. Ainda há de se decidir se por medo do fantasma do comunismo, por medo do PT transformar o Brasil em uma Venezuela (sic), pra evitar que a mamadeira de piroca chegasse às escolas, por discursos fáceis e populistas, por ausência de de opções melhores ou de senso crítico. 
Não importa. Pusemos um ignóbil presidente dirigindo uma locomotiva desgovernada prestes a cair pela borda da terra plana. A postura dos seus numerosos eleitores fiéis, não é crítica. É de defesa espástica em uma inércia tóxica. A esquerda (como é óbvio), os veículos de comunicação, os outros países, as ONGs, a ONU, o Greenpeace, o próprio partido, os professores, os cientistas, as minorias sociais, entre outros, não fazem uma perseguição romana ao Cristo salvador, que de Cristo tem muito pouco. 
É conspiração demais pra minha cabecinha doutrinada pelos métodos de ensino marxista nas academias. Não quero (nem tenho que) fazer a ginástica interpretativa pra defender o presidente que fala em meu nome e de meus conterrâneos. Prefiro que o mesmo seja cobrado por sua postura vil, infame e despreparada pra exercer um cargo tão importante no cenário mundial.

 Poderia discutir política por horas, mas antes disso, o nosso presidente não me dá margem para sequer discutir humanidade. Falta quase tudo nesse primeiro ano de gestão presidencial falida e nessas quase 3 décadas de carreira política. O que não falta são escândalos, indícios de corrupção, polêmicas internas e externas, declarações preconceituosas em vários níveis e intrigas familiares e partidárias. 
É comitrágico no nível Escolinha do professor Raimundo em uma versão alternativa encontrada na DeepWeb.
Antes que me venham perguntar do PT ou cobrar que eu teça críticas à esquerda. Que se foda o PT, esse saiu do governo em 2016. Eu já me preocupei com o passado, quando lá estive. Agora estou no presente e me recuso a passar pano pra uma gestão reles e ineficiente.
Prefiro ser lembrado por ser implicante com um governo bom que conivente e silenciado em um período merda.
Por último: não quero lacrar e não quero curtidas. Que se fodam igualmente. Se você concorda com meu pensamento, não dê like na publicação e não me defenda dos críticos que virão abaixo. Sei muito bem fazer isso sozinho se eu achar que minimamente vale a pena. Fica aqui apenas meu registro.

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Poemas?

Em palidez se vê
Que um laço se vai
Onde há um alento
De um traço Importante
Seja uma luz
Que se vive Além
Daquela que já não se pode
Pensar em viver sem

Quando a forma se dá
E dita o que não foi dito
Realiza-se o mistério
Entre o vão de cada porta

Daquilo que não sei
Resta o que não vou saber
Nas margens, a profundeza chama
Nos arredores o silêncio grita
Onde mais seria alma,
Se a chama clama sem memória?
Em chamas há chuva de vida
Moderna e encravada na triste ferida
Há o que não sabia
Mas há, principalmente, o que não saberia

Se a abstração causa silêncio
onde mais fica a dor
senão no incapaz velório
das palavras sufocadas

O café que invade a porta
Adentra aquilo que não respeita
Desde a primeira reverência
Deveria ser desejada sorte

Não haveria sentido
Se não houvesse amanhã
Como não se possui amor
Se não se liberta da perfeição

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Eu vi nos meus

Eu hoje vi os meus
Caindo ao meu lado
Eu vi mais de uma vez
Futuro repetir o passado

E nem tudo aquilo
Que reluz é ouro
Nem todo populismo
Vai ajudar o meu povo

Nessa impressão
Moldo minha opinião
E não quero um messias
Eu quero os meus irmãos

Vivendo na paz
E vivendo na harmonia
Não adianta o teu terror
De implantar a guerra fria

Inimigo em comum
nessa eu não caio mais
O único inimigo
É quem não propaga a paz

E pra que mais?
Dessa violência ineficaz
Que aprisiona o povo
em amarras sociais

Onde desesperadamente
Procuram a salvação
Em pessoas que só pensam
Em ter arma na mão

Meu ato de rebelião
contra essa propagação
De uma falsa paz
Que mata em nome da nação

É não me calar jamais
Silenciar não mais
Porque ninguém nunca
Pode censurar a paz

E é isso que se faz
Quando a luta é perspicaz
O governo do medo
Aqui não, rapaz

Termos absolutos
Eu deixo pro Anakin
Eu procuro o equilíbrio
Ele é o que faz bem pra mim

Hoje eu sei que sim
A revolução tem fim
Quando se abaixácabeça
Pra quem se comporta assim

Dividindo todos nós
Gerando segregação
E se alguém quer isso
Eu já penso que ele não

Por um mundo melhor
Onde haja mais justiça
tem que desafiar
A mentalidade submissa

Começou Assim

Começou assim
Meio devagar
Ela me olhando, disfarçando
Clássicá- troca de olhar

E eu me perguntando
O que é que ela viu em mim
Porque o olhar dela, de fato,
Sei que sorriu pra mim

Foi tudo num instante
Coração independente
Eu já tinha percebido
Eu vi que era diferente

Mulher independente
E de forte opinião
Com a vida transformada
E em constante mutação

Ela sabia o que queria
Ela surtava algumas vezes
Eu sabia que estaria
Distante em poucos meses

Mesmo assim não conseguia
Falar o que deveria
Porque aquele jeito de falar
Me conquistava todo dia

Entre altos e baixos
O inevitável acontecia
O corpo dela no meu corpo
Inspiração pra poesia

Aquela conversa leve
Numa tarde fria
Vinha pra alimentar
Uma alma antes vazia

Era assim todo dia
No final da correria
Saindo do trampo
direto pra nossa fantasia

E o que a gente vivia
Mais ninguém sabia
Ou, pelo menos, sei
Ninguém jamais entenderia

E o desdobramento
Te deixo imaginar
Porque essa história
Ainda tá pra começar

Como se não bastasse
Todessa conexão
Ela veio arrombando
A porta do meu coração

Sem pedir licença
Muito menos perdão
Ela fez do meu peito
Seu cativeiro de emoção

Vou olhar pra ela
Todo dia de manhã
Não quero outra vida, não
Tô tipo o Djavan

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Diga oi para a pirâmide sentimental perguntativa em decrescentes terminações em vogais que ilustra a vida


Ele a queria
Sabia o que fazia
Ou será que entendia
Tudo aquilo que a vida oferecia?

Já era tarde
É então por isso a saudade
É apenas uma atitude covarde
Ou era mesmo aquela outra metade?

Pensando em si
Se deveria continuar ali
Ou ir embora pra longe daqui
Seria a desculpa para dizer “não sofri”?

Se está acabado
E o coração fechado
Convencido de estar curado
Por que, então, um poema inacabado?

É o apogeu
De um delírio seu
Onde sabe que perdeu
E ainda não aceitou o quanto doeu?

terça-feira, 27 de março de 2018

Aquele dia chegou


Aquele dia chegou. Eu sabia. O dia que eu perceberia que estou morrendo de saudade. Eu sabia que isso aconteceria cedo ou tarde, eu só preferia fingir que não estava se aproximando.

Mas hoje eu sei que não é mais possível desviar os pensamentos. Agora eu já não posso mais olhar para os lados. Não sei mais fingir que doeu uma dor calculada ou tentar explicar pra mim mesmo, enquanto fingia explicar para outras pessoas, que é só a ordem natural das coisas. Que você iria nos deixar eventualmente. Já não sei mais interpretar esse papel.


Você significou tanto. Você cuidava de mim mesmo quando eu era uma criança (BEM) chata que só queria a minha mãe, você me dava carinho pra que eu dormisse enquanto a gente fazia aquelas viagens no banco de trás do carro indo pra Araruama. Era só você a fazer aquele sanduiche e Nescau com leite desnatado, onde eu não falava nada, mas tinha gosto de Nescau com água. Não era bom ou ruim. Era o sabor de estar com você.

Eu sinto tanto a falta de deitar na rede e ouvir as suas histórias de como os seus (e meus) ancestrais viveram, o que faziam e como faziam. Eu prometi pra mim mesmo que quando voltasse, eu ia pedir pra escutar todas aquelas histórias de novo. Eu voltei tarde demais.

Eu sinto falta de saber sobre aquele livro da nossa família que você estava escrevendo e nunca terminava. Não havia de terminar, certo? Nossa história nunca terá fim. Somos todos extensões uns dos outros. Somos a verdadeira definição de família. Eu sempre soube. Você sempre me ensinou isso sem nunca precisar proferir tal frase.

Hoje eu me culpo por não ter estado ao seu lado nos seus últimos dois anos. Mas como eu podia imaginar? Eu sinto que tem tanta coisa que não pude te contar. Tanto que eu gostaria te mostrar sobre mim. Queria te mostrar o quanto eu mudei, mesmo que no fim você me olhasse com aqueles olhos de que eu serei sempre aquele mesmo netinho que se sentia o seu favorito. Eu queria compartilhar tudo que aprendi nesses quase dois anos em que estivemos separados.


Você sabia que a minha estadia no Senegal me tornou um especialista em comer frango com as mãos? Hoje em dia eu sou capaz de deixar só o osso mesmo, daquele jeito que você fazia. Quer dizer, aposto que melhor que você hoje em dia. Ficaria orgulhosa que eu sei. Te conheço. O lado ruim é que meus restos de frango já não seriam mais aproveitados por você. Pois é, sinto muito. Eu melhorei muito meu francês nesses dois anos que passaram, sabia? É, eu lembro que você morria de orgulho, mesmo eu tendo vergonha de falar quando você pedia. Pois agora saiba que eu falo realmente fluente e sei cantar um monte de música também. Algumas você nunca ouviu falar. Melhor assim, pois é um monte de rap cheio de palavrão (amizades complicadas, vó, amigos desbocados).

O fato é que eu queria ter te visto mais, te abraçado mais, me unido ao meu tio debochado de você durante o almoço mais vezes, quando você só tinha a minha mãe pra te proteger, mas só depois que ela parasse de rir das nossas piadas, claro. É, você estava quase sozinha nessa empreitada de almoço. Eu queria ter feito você rir até perder o ar, ter que implorar pra cessarmos as piadas por alguns instantes. Eu queria ter discutido mais com você, dado meus pontos de vista intermináveis até que você me chamasse de chato e começasse a ignorar meus BONS argumentos, diga-se de passagem. Chegar em casa e te ver recostada naquela poltrona enquanto passava algum jogo chato do Vasco ou uma novela nada interessante.

A verdade é que o buraco que ficou no meu peito nunca vai cicatrizar. Mas sabe de uma coisa? Eu fico feliz por isso. Eu morro de saudade. Eu vou morrer de saudade sempre. Esse buraco não vai fechar, mas eu vou aprender a viver com ele dentro de mim. E nele eu terei todas as suas memórias, seus sorrisos, seus elogios e carinhos. Você foi muito mais que uma avó, você foi um amor daqueles que parece uma brisa de primavera em um fim de tarde alaranjado. Aquela sensação leve que beija a nossa alma e nos dá nada além da certeza de que somos a pessoa mais sortuda do mundo.

Te amo.
Com lágrimas, seu neto.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Ela se foi

Ela se foi. Pela noite, pois ninguém podia ver. Ela se foi às 3h, no horário que foi ensinada a sentir o terror de ser.

Será que escutaram sua alma chorar vazia? Ela nunca soube, o som de madeira antiga arranhando na sua memória sempre a ensurdecia.

Por além das fronteiras daquela cidade encontrou a solidão que nunca procurou. Ela abraçou o inferno. Ela rezou.

O lúgubre a beijava com o sabor amargo do desespero. Aos oito fugiu um mês depois de apodrecer o corpo por inteiro. O carinho doce de seu pai a infectara interrompendo seu sono. envenenou sua alma enquanto a aquecia do frio de outono.



Nunca mais conseguiu se olhar. Mesmo quando o espelho apontava uma mulher, ela aprendera a não acreditar. Nem confiar. Aquela imagem que via não sabia chorar.

Mergulhou onde queria. Mergulhou em um apanhado de agulhas vazias. Beijava seus demônios em viagens de agonia. Em todas ela o via. Revisitava o mesmo quarto da noite que sucumbia. Ela provava repetidamente a pele fria.

Encontrou a saida que sempre procurou. Um último abraço em si. Ela se desculpou pelo que se causou. Nada mais poderá ferir. Nada pode machucar uma existência interrompida. A última mensagem ficará escrita em uma parede perdida: “Você me exterminou muito antes que eu tirasse a minha vida”.