Histórias de alguém
que gosta de viajar, mas que ama mesmo conhecer pessoas
Conhecer,
descobrir, explorar, aprender.. Quantas maravilhas somos capazes de acumular
quando decidimos colocar nossa trouxa debaixo do braço e partir numa aventura?
Quando viajamos para o desconhecido e mergulhamos em lugares que nunca sonhamos
estar, podemos acabar por conhecer pessoas que jamais teríamos a oportunidade
se não ousássemos sair da nossa cômoda e agradável zona de conforto.
Como
todo bom ser humano, eu adoro minha zona de conforto, minha caminha quentinha,
aquela rotina controlada de um trabalho agradável e programas com os amigos de sempre nos fins de semana. Somos todos um pouco Buchecha e adoramos controlar o
calendário sem utilizar as mãos.
A
questão aqui é: quanta coisa estamos deixando passar enquanto a vida passa? É
claro que não é possível experimentar todas as sensações do mundo ou visitar
todos os pequenos vilarejos desse planeta tão enorme. Mas por que não uma
aventura de vez em quando? E o foco aqui não é nem o de visitar castelos ou
museus, ainda que seja uma ideia elegantemente atraente. Mas que tal visitar
pessoas dos mais diferentes lugares? Que tal aprender através das lentes que
cada um utiliza para enxergar o mundo? Se colocar no lugar dessas pessoas e
apreciar suas percepções do que é a vida.
Quanto
mais viajamos de carona na maneira com a qual essas pessoas entendem os fatos,
acontecimentos e a história da nossa existência, do mundo e por que estamos
onde estamos, começamos a perceber que a forma como vemos o mundo é só mais uma
versão descartável que muito mais se parece com uma mera opinião que
necessariamente com a verdade. A cada dia temos menos razão e mais motivos para
não procurar por apenas uma.
Afinal,
o que seria do mundo se ele fosse construído apenas pelos estereótipos que
fomos ensinados a criar ao longo da vida? Não há comportamento “padrão” ou “certo”,
muito pelo contrário. E eu diria que a pluralidade merece mesmo é um brinde!
O
que seria de mim se não tivesse conhecido um casal de romenos onde um é
engenheiro de software e a outra quase mestre em psicologia e extremamente
inteligentes e honestos, diga-se de passagem, me explicassem que em diversos lugares pela Europa as pessoas param de respondê-los e escondem as
carteiras quando descobrem que são da Romênia? Ou se não sentasse na mesma mesa
de bar com três polonesas e percebesse que elas são imbatíveis em misturar
vodka, uísque, cerveja e todo o resto que possua álcool e continuarem agindo sobriamente
como se estivessem à base de água e refrigerante. Eu não seria tão feliz se não
tivesse conhecido um eslovaco que me explicou que no Natal a história que se conta
para as crianças do seu país não é a do Papai Noel levar presentes num trenó,
mas sim uma espécie de bebê Jesus a fazer a função (?). Sim, não me pergunte
como também. Sem dúvidas eu não seria tão apaixonado pela vida se não tivesse conhecido o
rapper croata que pede paz para os idosos do seu país e que parem de odiar os
sérvios. Nem se eu não tivesse conhecido as eslovenas que se orgulham
imensamente de terem honestos 47km de litoral no país e ainda fazem piada com o
amigo eslovaco, pois esse não tem. Ou aprender que húngaros e romenos são rivais diretos no futebol e na vida, uma versão temperada de Brasil x Argentina
no leste europeu.
As
histórias são intermináveis e os aprendizados são incríveis. Desde a
oportunidade de um debate sério sobre política com um francês que fala seis
línguas, até uma diversão incrível de ver uma adorável portuguesa imitar o meu
sotaque brasileiro (e carioca) com perfeição ao cantar “empreguete”.
Viajar
é bem mais que conhecer lugares, climas ou comidas. Viajar é também conhecer
opiniões, costumes, risadas, jeitos de dançar, de olhar e de se divertir.
Viajar é olhar pra dentro de si mesmo sem medo do que vai encontrar e perceber
o maior segredo que a cultura costuma a esconder: “somos todos diferentes entre
nós”. Ninguém é, precisa ou deveria tentar ser igual ao outro. Na verdade, essa
pluralidade aparentemente infinita de pequenos traços de personalidade em cada um
de nós, deixa a vida bem mais apaixonante.
E
aí, que tal tentar conhecer o mundo e acabar descobrindo a si mesmo?
