quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

A magia de viajar pelo mundo.. e na pluralidade das pessoas

Histórias de alguém que gosta de viajar, mas que ama mesmo conhecer pessoas

                Conhecer, descobrir, explorar, aprender.. Quantas maravilhas somos capazes de acumular quando decidimos colocar nossa trouxa debaixo do braço e partir numa aventura? Quando viajamos para o desconhecido e mergulhamos em lugares que nunca sonhamos estar, podemos acabar por conhecer pessoas que jamais teríamos a oportunidade se não ousássemos sair da nossa cômoda e agradável zona de conforto.

                Como todo bom ser humano, eu adoro minha zona de conforto, minha caminha quentinha, aquela rotina controlada de um trabalho agradável e programas com os amigos de sempre nos fins de semana. Somos todos um pouco Buchecha e adoramos controlar o calendário sem utilizar as mãos.

                A questão aqui é: quanta coisa estamos deixando passar enquanto a vida passa? É claro que não é possível experimentar todas as sensações do mundo ou visitar todos os pequenos vilarejos desse planeta tão enorme. Mas por que não uma aventura de vez em quando? E o foco aqui não é nem o de visitar castelos ou museus, ainda que seja uma ideia elegantemente atraente. Mas que tal visitar pessoas dos mais diferentes lugares? Que tal aprender através das lentes que cada um utiliza para enxergar o mundo? Se colocar no lugar dessas pessoas e apreciar suas percepções do que é a vida.

            Quanto mais viajamos de carona na maneira com a qual essas pessoas entendem os fatos, acontecimentos e a história da nossa existência, do mundo e por que estamos onde estamos, começamos a perceber que a forma como vemos o mundo é só mais uma versão descartável que muito mais se parece com uma mera opinião que necessariamente com a verdade. A cada dia temos menos razão e mais motivos para não procurar por apenas uma.

          Afinal, o que seria do mundo se ele fosse construído apenas pelos estereótipos que fomos ensinados a criar ao longo da vida? Não há comportamento “padrão” ou “certo”, muito pelo contrário. E eu diria que a pluralidade merece mesmo é um brinde!


        O que seria de mim se não tivesse conhecido um casal de romenos onde um é engenheiro de software e a outra quase mestre em psicologia e extremamente inteligentes e honestos, diga-se de passagem, me explicassem que em diversos lugares pela Europa as pessoas param de respondê-los e escondem as carteiras quando descobrem que são da Romênia? Ou se não sentasse na mesma mesa de bar com três polonesas e percebesse que elas são imbatíveis em misturar vodka, uísque, cerveja e todo o resto que possua álcool e continuarem agindo sobriamente como se estivessem à base de água e refrigerante. Eu não seria tão feliz se não tivesse conhecido um eslovaco que me explicou que no Natal a história que se conta para as crianças do seu país não é a do Papai Noel levar presentes num trenó, mas sim uma espécie de bebê Jesus a fazer a função (?). Sim, não me pergunte como também. Sem dúvidas eu não seria tão apaixonado pela vida se não tivesse conhecido o rapper croata que pede paz para os idosos do seu país e que parem de odiar os sérvios. Nem se eu não tivesse conhecido as eslovenas que se orgulham imensamente de terem honestos 47km de litoral no país e ainda fazem piada com o amigo eslovaco, pois esse não tem. Ou aprender que húngaros e romenos são rivais diretos no futebol e na vida, uma versão temperada de Brasil x Argentina no leste europeu.

                As histórias são intermináveis e os aprendizados são incríveis. Desde a oportunidade de um debate sério sobre política com um francês que fala seis línguas, até uma diversão incrível de ver uma adorável portuguesa imitar o meu sotaque brasileiro (e carioca) com perfeição ao cantar “empreguete”.

         Viajar é bem mais que conhecer lugares, climas ou comidas. Viajar é também conhecer opiniões, costumes, risadas, jeitos de dançar, de olhar e de se divertir. Viajar é olhar pra dentro de si mesmo sem medo do que vai encontrar e perceber o maior segredo que a cultura costuma a esconder: “somos todos diferentes entre nós”. Ninguém é, precisa ou deveria tentar ser igual ao outro. Na verdade, essa pluralidade aparentemente infinita de pequenos traços de personalidade em cada um de nós, deixa a vida bem mais apaixonante.


                E aí, que tal tentar conhecer o mundo e acabar descobrindo a si mesmo?

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